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“Eu tenho 1,72m de altura, peso 83 kg e me alimento bem. Quantos copos de cerveja posso tomar e não ser acusado no bafômetro?”, pergunta o brigadista José Antunes. “Cada organismo reage de uma forma diferente. A mulher, por exemplo, fica bêbada mais rápido que homem. Então, qual seria essa diferença?”, questiona a funcionária pública Gláucia Braga. “Se eu usar um enxaguante bucal, que tem uma porcentagem mínima de álcool, vai acusar no bafômetro?”, pergunta ainda a dentista Aline Torres.
Dúvidas como essas ainda estão na cabeça de muita gente. Um rapaz topou fazer o teste do bafômetro depois de comer sete bombons recheados com licor. Passou. Um outro soprou o aparelho depois de usar um enxaguante bucal. Nada. O uso do produto pode até disfarçar o hálito do motorista embriagado, mas não vai enganar a fiscalização.
“É importante relembrar que, além do bafômetro o agente de trânsito, o agente público, está qualificado e tem condições de verificar notórios sinais de pessoas sob a influência do álcool”, alerta o chefe de fiscalização do Detran-DF, Silvaim Fonseca.
E como existem remédios que contêm álcool na composição, o Ministério da Saúde vai fazer uma lista desses medicamentos e determinar a quantidade de álcool que pode aparecer no teste do bafômetro. A lista será usada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para regulamentar a lei seca.
“Nós também vamos fazer uma orientação dos procedimentos para padronizar a atuação dos agentes de trânsito. Definindo, por exemplo, que você pode fazer um novo teste depois de tantos minutos”, explica o presidente do Contran, Alfredo Peres da Silva.
O consumo de álcool tem efeito diferente em cada pessoa. As mulheres costumam apresentar sinais de embriaguez mais rápido do que os homens. Pessoas magras podem ser pegas no bafômetro mais facilmente que outras com mais peso. Comer antes ou durante o consumo de bebida pode diminuir os efeitos do álcool. De qualquer forma, os especialistas alertam: tudo depende do funcionamento do organismo.
A toxicologista Andréa Amoras, da Universidade de Brasília, explica que até seis horas após a ultima dose o álcool ainda pode ser detectado no organismo. Por isso, não adianta disfarçar. “Tomar café, tomar banho, comer doce, tomar refrigerante. Nada disso vai cortar o efeito do álcool. O bafômetro ainda vai detectar a quantidade ingerida. Não existe quantidade limite para se dirigir depois. Bebida e trânsito não combinam. Portanto, o limite é zero”, ressalta.
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